Penso linhos e ungüentos
para o coração machucado de Tempo.
Penso bilhas e pátios
Pela comoção de contemplá-los.
(E de te ver ali
À luz da geometria de teus atos)
Penso-te
Pensando-me em agonia. E não estou.
Estou apenas densa
Recolhendo aroma, passo
O refulgente de ti que me restou.
Hilda Hilst Do Amor, Massao Ohno Estúdio, 1999
Tuesday, October 30, 2007
Tuesday, October 23, 2007

Sobre os bailes às sextas-feiras em Nordestina, cidade onde se passa o Tempo da narrativa... Diz-nos o narrador:
"Houve um tempo em que o salão ficava lotado. No tempo de Antônio, não. Como a cada semana ia-se embora um, os pares foram se desfazendo, deixando cada vez mais ímpares desemparelhados. Depois foi a vez dos ímpares irem ficando também cada vez menos, coitados desses, é impressionante como os números ímpares são muito mais tristes do que os pares".
Adriana Falcão in A Máquina
Wednesday, October 17, 2007
Súplica
Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti, como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto o nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz, seria
Matar a sede com água salgada.
Miguel Torga
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti, como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto o nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz, seria
Matar a sede com água salgada.
Miguel Torga
Só Alguns Cravos

Nada sei de tílias e carvalhos
agapantos, tulipas, jasmins do Cairo.
Conheço bem urtiga, as locas, o mato
algemas de cipós, liana em laços.
Por sorte, só por sorte ainda guardo,
naquele pote a colônia macerada
— dói a alma, dói e não passa —
lembrando a timidez dos bredos
selvagens.
E, agora para enfeitar uma casa
alva casa entre gramas sem trato
vôo pousado, varanda em asas
eu escolhi, só alguns cravos.
Cravos sem sangue, mas... encarnados.
Debora Brennand
Tragédia Brasileira

Misael, funcionário da Fazenda, com 63 anos de idade.
Conheceu Maria Elvira na Lapa — prostituída, com sífilis, dermite nos dedos, uma
aliança empenhada e os dentes em petição de miséria.
Misael tirou Maria Elvira da vida, instalou-a num sobrado no Estácio, pagou médico,
dentista, manicura... Dava tudo quanto ela queria.
Quando Maria Elvira se apanhou de boca bonita, arranjou logo um namorado.
Misael não queria escândalo. Podia dar uma surra, um tiro, uma facada. Não fez
nada disso: mudou de casa.
Viveram três anos assim.
Toda vez que Maria Elvira arranjava namorado, Misael mudava de casa.
Os amantes moraram no Estácio, Rocha, Catete, Rua General Pedra, Olaria, Ramos,
Bonsucesso, Vila Isabel, Rua Marquês de Sapucaí, Niterói, Encantado, Rua Clapp,
outra vez no Estácio, Todos os Santos, Catumbi, Lavradio, Boca do Mato,
Inválidos...
Por fim na Rua da Constituição, onde Misael, privado de sentidos e de inteligência,
matou-a com seis tiros, e a polícia foi encontrá-la caída em decúbito dorsal, vestida
de organdi azul.
Manuel Bandeira
Cemitério Dos Vivos

"Vista assim de longe, a noção de horror que se tem da loucura não parte da verdadeira causa. O que todos julgam é que a coisa pior de um manicômio é o ruído, são os desatinos dos loucos, o seu delirar em voz alta. É um engano. Perto do louco, quem os observa bem, cuidadosamente, e une cada observação a outra, as associa num quadro geral, o horror misterioso da loucura é o silêncio, são as atitudes, as manias mudas dos doidos."
Lima Barreto
Thursday, October 04, 2007
Leia o Livro...

... Veja o Filme. Diga Não À Pirataria
ELITE DA TROPA
Santa Teresa, Domingo, Quatro Da Tarde
Este é o relato fiel do que Amâncio contou:
“Eu e meu parceiro voltávamos para o 2º Batalhão no Gol descaracterizado que a gente usava em algumas missões. Estávamos na rua Almirante Alexandrino, em Santa Teresa, porque tínhamos seguido um cara que fazia a ligação entre os traficantes do morro Santa Marta e os vagabundos do Tabajara. Mas perdemos o cara e, como já tinham passado as 24 horas de nosso plantão, resolvemos voltar. Ali em cima, perto da favela do Balé, tem uma bifurcação. Queríamos descer para o Cosme Velho e Laranjeiras, mas o meu parceiro, que dirigia o carro, pegou o lado errado. Quando a gente viu, estava num declive muito íngreme que nos levava direto para o miolo da favela. Não dava para recuar, nem para frear, abandonar o carro e correr a pé, de volta. A gente praticamente deslizava para o meio da favela. Nosso carro era uma bandeira só. Porra, dois homens, num Gol daqueles, ou a gente era bandido ou polícia. Nos dois casos iríamos tomar tiro. O carro seguiu devagar, ladeira abaixo, e já dava pra ver que os traficantes estavam reunidos bem no meio da rua. Estavam distribuindo as cargas e as armas. Tive a intuição de que a gente só tinha uma saída, acelerar. “Gritei: acelera, pisa até o fundo e abaixa a cabeça. Parecia um strike no jogo de boliche. O carro disparou ladeira abaixo e nós pegamos uns três ou quatro. Foi uma puta porrada; voou moleque pra todo lado; o carro capotou algumas vezes. Consegui escapar, no meio de uma chuva de bala. Corri atirando e buscando uma cobertura. Não sei o que aconteceu com o Amílcar. Não pude mais olhar pra trás. Só fiz correr pelos becos na direção oposta à da entrada. Você deve se lembrar da favela. Ela fica num vale, entre a ladeira que desce de Santa Teresa e a escadaria que sobe, na outra ponta. Fugi pra escadaria. Eles não me seguiram. Devem ter ficado cuidando dos feridos. Vai ver que o chefe estava entre os atropelados. Corri com todas as minhas forças e subi a escadaria pulando os degraus. Quando estava mais ou menos na metade, apareceram uns colegas do 1º Batalhão no alto da escadaria. Fiz um sinal e me senti salvo pelo gongo. “De repente me apontam o fuzil lá de cima e eu só sinto aquele coice na barriga. Ficou tudo preto. Acordei aqui, depois da cirurgia. Foi tiro amigo, meu irmão. Tiro amigo. Agora, eu te pergunto: por quê? Está certo que sou negro e que estava armado e sem uniforme, mas, porra, para quê atirar antes de identificar o camarada?” Amâncio não passou daquele dia. No enterro, na salva de tiros, tive vontade de mandar pararem aquela farsa, aquela palhaçada. Mas pensei na viúva, no filho, ponderei um pouco e achei que o melhor mesmo seria colocar uma pedra no caso. Melhor ter um pai herói, morto pelos inimigos, do que vítima de um mal-entendido. Digo mal-entendido para manter um certo nível de sobriedade, em homenagem à memória de um amigo querido, um homem de valor. O que senti mesmo foi vontade de chorar e de vomitar as verdades sobre essa merda toda".
Luís Eduardo Soares, André Batista e Rodrigo Pimentel
Objetiva, Rio de Janeiro
Poema

A minha vida é o mar o Abril a rua
O meu interior é uma atenção voltada para fora
O meu viver escuta
A frase que de coisa em coisa silabada
Grava no espaço e no tempo a sua escrita
Não trago Deus em mim mas no mundo o procuro
Sabendo que o real o mostrará
Não tenho explicações
Olho e confronto
E por método é nu meu pensamento
A terra o sol o vento o mar
São a minha biografia e são meu rosto
Por isso não me peçam cartão de identidade
Pois nenhum outro senão o mundo tenho
Não me peçam opiniões nem entrevistas
Não me perguntem datas nem moradas
De tudo quanto vejo me acrescento
E a hora da minha morte aflora lentamente
Cada dia preparada
Sophia de Mello Breyner
Wednesday, September 26, 2007
O Bicho
Os Ombros Suportam o Mundo

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho
.E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prosseguee nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
Carlos Drummond de Andrade
O Amor Esquece De Começar
Friday, September 21, 2007
Aperitivo...

... de Amor Nos Tempos Do Cólera.
Para quem tem um amor guardado no tempo, ou num espelho da casa.
"Certa noite entrou na Pousada do Sancho, um restaurante colonial de alto nível, e ocupou o canto mais afastado, como costumava fazer quando se sentava sozinho para comer suas merendas de passarinho. De repente viu Fermina Daza no grande espelho do fundo, sentada à mesa com o marido e outros dois casais, num ângulo em que ele podia vê-la refletida em todo o seu esplendor. Estava indefesa, conduzindo a conversação com uma graça e um riso que crepitavam como fogos de artifício, e sua beleza ficava mais radiante debaixo dos enormes lustres de pingentes: Alice tinha tornado a atravessar o espelho.Florentino Ariza a observou à vontade e quase sem respirar, viu-a comer, viu-a apenas provar o vinho, viu-a tagarelando com o quarto Sancho da estirpe, viveu com ela um instante de sua vida sentado em sua mesa solitária, e durante mais de uma hora flanou sem ser visto pelo recinto vedado de sua intimidade. Depois tomou mais quatro xícaras de café para fazer tempo, até que a viu sair confundida com o grupo. Passaram tão perto que ele distinguiu o cheiro dela entre as lufadas de outros perfumes de suas acompanhantes.A partir dessa noite, e durante quase um ano, manteve um assédio tenaz ao proprietário da pousada, oferecendo-lhe o que quisesse, em dinheiro ou em favores, para chegar ao que mais lhe apetecesse na vida, desde que lhe vendesse o espelho. Não foi fácil, pois o velho Sancho acreditava na lenda de que aquela preciosa moldura talhada por ebanistas vienenses era gêmea de outra que pertencera a Maria Antonieta, e que desaparecera sem deixar rastro: duas jóias únicas.
Quando por fim cedeu, Florentino Ariza pendurou o espelho na sua casa, não pelos primores da moldura e sim pelo espaço interior, que tinha sido ocupado durante duas horas pela imagem amada.”
Gabriel Garcia Márquez
(fotografia do filme Somewhere In Time)
Tuesday, September 18, 2007
A Menininha E O Gerente

- Não, paizinho, não! Quero ir com você!
- Mas meu bem, não posso levar você lá. O lugar não é próprio. Não vou demorar nada, só dez minutos. Seja boazinha, fique me esperando aqui.
- Não, não! - a garotinha soluçava. Agarrou-se à calça do pai como quem se agarra a uma prancha no mar.
Ele insistia:
- Que bobagem, uma menina de sua idade fazendo um papelão desses.
- Você não volta!
- Volto, ora essa, juro que volto, meu amor.
Prometendo, ele passeava o olhar pela rua, impaciente.
Ela baixara a cabeça, chorando. Estavam diante da papelaria. O gerente assistia à cena. O homem aproximou-se dele:
- Faz-me o obséquio de tomar conta de minha filha por alguns instantes? Vou a um lugar desagradável, não posso levá-la comigo.
- Mas...
- Quinze minutos no máximo. É ali adiante. Muito obrigado, hein? E sumiu.
A garotinha continuava de olhos baixos, imóvel, o dorso da mão esquerda junto à boca. O gerente passou-lhe a mão nos cabelos, de leve.
- Vem cá. Ela não se mexeu.
- Como é que você se chama? Carmen? Luísa? Marlene?
Como não respondesse, o gerente foi desfiando nomes, sem esperança de acertar. Mas ao dizer "Estela", a cabecinha moveu-se, confirmando.
- Estela, você sabe que está com um vestido muito bonito?
Estela tirou a mão dos olhos, examinou o próprio vestido e não disse nada. Mas o gelo fora rompido. Daí a pouco o gerente mostrava-lhe a caixa registradora e autorizava-a a marcar uma venda de 200 cruzeiros.
- Olha um gatinho. Ele mora aqui?
- Mora. - E que é que ele come?
- Papel. - Mentiroso!
- Então pergunte a ele.
O gato acordou, deixou-se afagar e tornou a dormir, desta vez nos braços de Estela. O gerente olhou o relógio; tinham se passado quinze minutos, o homem não aparecia. "Bonito se ele não vier mais. Que vou fazer com esta garotinha, na hora de fechar?" Tentou lembrar o rosto do desconhecido; impossível. Já pensava em telefonar para a polícia, quando Estela o puxou pela perna:
- Além da máquina e do gatinho, você não tem mais nada para me mostrar? Ele abarcou com a vista a loja toda e sentiu-a mal sortida, pobre. "Eu devia ter aberto uma loja de brinquedos, pelo menos um bazar." Experimentou com Estela o apontador de lápis, o grampeador. E o homem não vinha. É, não vem mais. Estela andava de um lado para outro, dona do negócio. Ele, inquieto. - Não mexa nas gavetas, filhinha.
- Não sou sua filhinha.
- Desculpe.
- Desculpo se você deixar eu abrir.
- Então deixo. Dentro havia balões, estrelinhas, saldo do último Natal. E ele que não se lembrava daquilo. Estela riu de sua ignorância, e o homem não vinha. O movimento de fregueses declinava. Na calçada, as filas de lotação iam crescendo. Daí a pouco, a noite.
Estela soprou um balão, outro, quis soprar dois ao mesmo tempo. Um estourou. Ela assustou-se. Ele riu. "Se o homem não aparecesse mais, que bom! Aliás, a cara dele era de calhorda. Ainda bem que me escolheu." Levaria Estela para casa, a mulher não ia estranhar, fariam dela uma filha - a filha que praticamente não tinham mais, pois casara e morava longe, no Peru.
E se o pai reclamasse depois? Ora, quem entrega sua filha a um estranho, diz que vai demorar quinze minutos, passa uma hora e não volta, merece ter filha?
O empregado arriava a cortina de aço quando apareceram duas pernas, um tronco inclinado, uma cabeça.
- Dá licença? Demorei mais do que pensava, desculpe. Muito obrigado ao senhor. Vamos, filhinha. O gerente virou o rosto, para não ver, mas chegou até ele a despedida de Estela:
- Até logo, homem do balão! E a filha ficou mais longe ainda, no Peru.
Carlos Drummond de Andrade
Borges
O Lado Fatal

Deus (ou foi a Morte?) golpeou com sua pesada foice o coração do meu amado (não se vê a ferida, mas rasgou o meu também). Ele abriu os olhos, com ar deslumbrado, disse bem alto meu nome no quarto de hospital e partiu.
Quando se foram também os médicos e suas máquinas inúteis, ficamos sós: a Morte (ou foi Deus?) o meu amado e eu. Enterrei o rosto na curva do seu coração emudecido e o meu, varados por essa dourada foice. Por onde vou deixo os rastros de um sangue denso e triste que não estancará jamais.
O meu amado tinha tantas manias: perdia canetas, lápis, chaves. Houve um livro que comprou três vezes em um mês: depois encontramos todos e mais um sob velhos jornais. Mandei fazer uma estante nova para organizar seus livros: mas quando ele se foi, mas que livros havia ali de novo jornais. Nunca sabia bem por que os guardara. Eram parte do seu ninho, como nossos lençóis e os móveis da sala. Não conseguia sentar-se mais que meia hora para escrever: vinha ao meu escritório, usava de pretextos para me distrair, dava um beijo, fazia confidências, comentava assuntos do dia. Quando me via triste, dizia entre compassivo e magoado: ”Você hoje está numa melancolia profunda?” Certa vez discutimos, e ele deixou sobre minha máquina de escrever um bilhetinho: “Hélio Pellegrino ama Lya Luft.” Nunca tivemos mais que vinte anos.
“A morte, velha amiga, me sorri: agora tem do seu lado aquele que me foi tudo nesta vida. Tem mãos macias a velha senhora, traiçoeiras e leves mas reveladoras: porque um dia me recolherá também para debaixo do seu manto e haverá esplendor.”
Quando se foram também os médicos e suas máquinas inúteis, ficamos sós: a Morte (ou foi Deus?) o meu amado e eu. Enterrei o rosto na curva do seu coração emudecido e o meu, varados por essa dourada foice. Por onde vou deixo os rastros de um sangue denso e triste que não estancará jamais.
O meu amado tinha tantas manias: perdia canetas, lápis, chaves. Houve um livro que comprou três vezes em um mês: depois encontramos todos e mais um sob velhos jornais. Mandei fazer uma estante nova para organizar seus livros: mas quando ele se foi, mas que livros havia ali de novo jornais. Nunca sabia bem por que os guardara. Eram parte do seu ninho, como nossos lençóis e os móveis da sala. Não conseguia sentar-se mais que meia hora para escrever: vinha ao meu escritório, usava de pretextos para me distrair, dava um beijo, fazia confidências, comentava assuntos do dia. Quando me via triste, dizia entre compassivo e magoado: ”Você hoje está numa melancolia profunda?” Certa vez discutimos, e ele deixou sobre minha máquina de escrever um bilhetinho: “Hélio Pellegrino ama Lya Luft.” Nunca tivemos mais que vinte anos.
“A morte, velha amiga, me sorri: agora tem do seu lado aquele que me foi tudo nesta vida. Tem mãos macias a velha senhora, traiçoeiras e leves mas reveladoras: porque um dia me recolherá também para debaixo do seu manto e haverá esplendor.”
Lya Luft
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